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O Complexo do Alemão agora é do povo.

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Caiu o último grande reduto dos traficantes no Rio, o antes impenetrável Complexo do Alemão.

Desde as primeiras horas de domingo, 28 de novembro, era dada como certa a invasão do morro pelas tropas que venceram os traficantes na Vila Cruzeiro. Porém o que se viu foram pouquíssimos focos de resistência e gradativamente o morro foi ocupado.

Alguns traficantes tentaram fugir disfarçados, outros se entregaram e aos poucos as rajadas de bala foram dando lugar a vida normal, típica de domingo. A população receosa ainda não está acostumada a nova rotina.

Policiais, soldados dão lugar a temíveis bondes de criminosos.

 

Amigos navegantes, abre-se uma nova página na história recente do Rio de Janeiro, muito mais coisas ainda vem por aí.

Extraído do site da Veja.

O dia em que a esperança venceu o terror

28/11/2010 às 22:33

O domingo começou tenso, com a notícia da invasão policial ao Complexo do Alemão, no Rio. Ao longo do dia, porém, o que se viu no entorno do conjunto de favelas foi uma progressiva descontração – entre a população e os militares. A ocupação dos morros encontrou resistência bem menor do que a esperada, e a avaliação feita pela Polícia Militar é de que a semana de horror no Rio termina com um gosto de esperança.

Em frente ao 16º Batalhão de Polícia Militar, muitas pessoas aglomeravam-se na rua, pedindo informações a policiais e fuzileiros navais. Ouviam-se tiroteios separados por longos intervalos. Lourdes Maia, 55 anos, ouvia um rádio de pilha e transmitia as notícias aos demais.  “Está dizendo que mais um ponto foi conquistado. E outro traficante foi preso!”, comemorava, agradecendo em seguida a um homem da Polícia Militar que também ouvia atento as notícias. “Está sendo muito mais fácil do que a gente imaginava. Os moradores vêm agradecer. Nunca tinha vivido isso”, dizia o militar, que participou das incursões à Vila Cruzeiro e ao Alemão.

Em meio à fila de tanques de guerra que se estendia pela rua, uma roupa camuflada se destacava pelas proporções diminutas. Era Abener de Oliveira, de seis anos, que girava intrépido e tirava fotos com todos os militares que encontrava. “Você é o meu novo amigo”, entusiasmava-se o garoto, de bermudão, blusa e boné com a estampa do Exército, enquanto dava as mãos para um PM. A mãe, Maria Elisa, conta que o garoto não sossegou enquanto eles não saíram de casa, na Vila Cruzeiro, e foram até o Alemão. “No começo eu resisti à ideia. Mas, depois, achei que poderia ser bom. Onde a gente mora, é complicado para as crianças saberem quem é o mocinho e quem é o vilão. Tanto a polícia quanto os traficantes andam fortemente armados; sempre atiram e matam pessoas. Quem é o herói, na cabecinha delas? O policial, que sempre que chega traz confusão, ou o traficante, que elas conhecem, que mora na mesma rua que elas? Resolvi vir com o Abener para ele escolher o herói dele”.

As crianças eram as mais animadas com o movimento, pedindo explicações sobre tanques, armas, capacetes. Matheus Mariano, de 12 anos, e o irmão Lucas, de 11, desfilavam pela rua com a palavra “paz” escrita em guache branco. A ideia foi do irmão mais velho, que se empolgou quando a mãe disse que, se tudo desse certo, ele poderia brincar na rua – pela primeira vez na vida.  “Tiroteio? Já vi muito, é comum. Nem tenho medo, me acostumei. Mas o moço contou que acabou e eu estou muito feliz”, dizia o menino, apontando para um fuzileiro.

Já no início da tarde, o coronel Mário Sérgio Duarte, comandante-geral da PM, contava que o clima no alto dos morros era bem menos opressivo do que na véspera: “Vi uma criança que chorava e ria ao mesmo tempo, de felicidade . Fiquei muito feliz ao notar que os moradores começam a sair de suas casas, abrir portas, janelas. Mesmo ainda de forma tímida, eles vêm nos cumprimentar. Este é o momento de agradecer a todos aqueles que contribuíram para o sucesso das nossas ações: exército, fuzileiros, policiais, população. E o trabalho não vai parar. Este é só o começo”.

Quando os traficantes presos Elizeu Felício de Souza, o Zeu – braço direito de Elias Maluco e um dos envolvidos na morte do jornalista Tim Lopes –, Tomate, Lambari e Sandra Sapatão, do Jacaré, chegaram ao batalhão, os policiais foram recebidos com aplausos. “Nós prendemos o Zeu graças a denúncias feitas pela comunidade. Os moradores se sentiram seguros e confiantes na polícia o suficiente para apontar a casa onde o traficante estava. Isso é muito gratificante”, comemorou Álvaro faria, chefe de Estado Maior da PM.

No início da noite, o coronel Mário Sérgio exibia com orgulho, no pátio do 16º BPM (Olaria), as armas e drogas apreendidas durante o domingo. O clima era de confraternização: dezenas de policiais militares se cumprimentavam, riam, comemoravam. Carros recheados de mais objetos apreendidos continuavam chegando e eram aplaudidos por um grupo de pessoas, do lado de fora do batalhão.

O plano para a noite, segundo Paulo Henrique Moraes, comandante do Bope, é suspender a operação de varredura. “Vamos manter nossos pontos de controle nos acessos ao Alemão e também dentro das favelas, a fim de assegurar posição e continuar, amanhã, as nossas ações. A população se mostra confiante na ação cuidadosa da polícia e está colaborando muito para a identificação de bandidos. Estamos mudando a vida de milhares de famílias que viviam oprimidas e, agora, terão novas oportunidades”, disse.

(Por Aline Erthal, do Rio de Janeiro)

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