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Estudantes protestam na Inglaterra. Sobrou para o Príncipe Charles.

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Na Europa, se correr o bicho pega e se ficar já era.

Foi assim na França com o aumento da idade mínima para aposentadoria. Apesar da derrota no Parlamento, os franceses fizeram muito barulho e muitas greves e manifestações, praticamente pararam o país.

Agora na Grã-Bretanha quem saiu às ruas foram os estudantes que protestam contra o plano do governo de aumento dos custos com educação universitária. O que se viu foi muito enfrentamento e quebra-quebra. Sobrou até para o Príncipe Charles, que teve seu carro atingido pelos manifestantes.

Desde a ditadura nossos estudantes e movimentos de classe (com exceção do MST) sofrem de uma letargia incomum. Suas vozes não são ouvidas nem faladas. Precisamos mostrar a cara novamente, mesmo que pintadas. Sair do silêncio e avançar. A voz do Povo é a voz de Deus.

Extraído da BBC.

Manifestantes atacam carro do príncipe Charles em Londres

Manifestantes em Londres que protestam contra o aumento nos custos do ensino universitário atacaram o carro em que o príncipe Charles e sua mulher, Camilla, trafegavam.

A BBC apurou que os manifestantes atiraram uma lata de tinta ao veículo, quebrando uma de suas janelas, enquanto ele se deslocava até o tradicional teatro London Palladium, no centro da cidade.

O príncipe e Camilla não se feriram e mantiveram os planos. Ao chegar ao teatro, os dois aparentavam tranquilidade.

Aumento dos custos

Os protestos se acirraram após o Parlamento britânico aprovar, nesta quinta-feira, os planos do governo de aumentar os custos da educação universitária na Inglaterra.

Segundo a polícia, oito policiais ficaram feridos nos confrontos, e sete pessoas foram presas.

Os manifestantes, que enfrentavam a polícia com paus e tochas, atearam fogo em bancos de praças e decapitaram uma estátua de Winston Churchill.

A superintendente-chefe da Scotland Yard, Julia Pendry, disse que os policiais tentavam evitar que os protestos se espalhassem para outras regiões da cidade.

Projeto

Pelo projeto aprovado pelo Parlamento, o piso das anuidades dos empréstimos em universidades inglesas passaria de 3.290 libras (R$ 8,9 mil) para 6 mil libras, e algumas universidades poderiam cobrar até 9 mil libras em “circunstâncias excepcionais” – se oferecerem, por exemplo, bolsas e programas que incentivassem estudantes mais pobres a cursá-las.

O empréstimo poderá ser quitado quando o estudante estiver ganhando um salário anual a partir de 21 mil libras.

Antes da votação, o vice-premiê, Nick Clegg, disse que os contrários aos planos seriam “sonhadores” e que era justo pedir para que os estudantes paguem mais em um momento de corte de gastos públicos.

Simultaneamente aos protestos em Londres, outras universidades britânicas organizaram manifestações e vigílias em reação à votação.

A votação ocorreu após semanas de divisões políticas e protestos estudantis.

O presidente da União Nacional de Estudantes, Aaron Porter, disse que as alterações nas cobranças encarecerão as universidades britânicas e que seus empréstimos serão um fardo de duração mais longa para os estudantes, mesmo quando já tiverem dinheiro para pagá-los.

Dentro do Parlamento, o ministro de Negócios, Vince Cable, disse aos parlamentares que as novas taxas são justas e que manterão a qualidade do ensino universitário, ao mesmo tempo em que “combaterão o deficit fiscal e proverão um sistema mais progressivo de contribuições graduais baseadas na habilidade das pessoas em pagar (os empréstimos)”.

As manifestações universitárias têm sido recorrentes desde que o projeto foi apresentado, no início de novembro, em meio a planos governamentais de cortar em até 40% o orçamento para a educação superior.

O aumento nas taxas de empréstimos universitários valerá exclusivamente para os estudantes na Inglaterra. Estudantes galeses não pagarão taxas maiores.

Na Escócia, não há empréstimos estudantis, e a Irlanda do Norte ainda não definiu como responderá aos aumentos nas taxas, caso esses sejam aprovados em Londres.

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