Sinesio Pontes Blog

Incoerência: Bolsista do Prouni ressuscita a múmia Arena.

A elite desse país odeia pobre, viu.

Voltemos a 31 de março de 1964. Os militares marcharam em direção à Brasília e o legítimo Presidente João Goulart é deposto. Daí para frente o que se viu nesse país foi uma ditadura que durou 21 anos. O Governo militar instituiu a censura, a  tortura, perda de direitos civis, cassação de mandatos de deputados, senadores e governadores eleitos, e sobretudo a criação, através de decreto, de um sistema bipartidário no país. Um partido que apoiava, discretamente, os movimentos democráticos o MDB (que depois viraria o PMDB) e outro partido que dava sustentação aos militares, a ARENA.

A Arena era composta por figuras que representavam a elite e a Direita do país, oriundos de partidos conservadores como UDN, PSD por exemplo. O fim da Arena originou alguns partidos como o PFL de ACM, Bornhausen e Marco Maciel, e o PP de Maluf.

É inegável que a Arena representa um passado que deixamos para trás, que não fazemos questão de lembrar ou viver.

A Era da Censura, da Tortura, dos Quartéis foi enterrada.

Não para uma patricinha que nem nascida era quando tudo isso aconteceu. Uma patricinha que nem de berço de ouro veio, nunca foi elite e que almeja, quem sabe um dia, chegar lá.

Além de burrice, há muito incoerência em seu discurso. Bolsista do Prouni se declara contra qualquer programa social.

Como assim?

O Prouni, se ela não sabe, é um programa direcionado para famílias com renda de até 3 salários mínimos per capita, ou seja, é programa social sim. Só que opinião contrária à Cotas raciais ou sociais vindo de quem precisa soa muito mal.

Não se engane garotinha, o pessoal que você representa não lhe quer por perto, seu projetinho de refundar algo enfadonho como a Arena, não vingará porque a elite desse país, seu público alvo, lhe odeia. Odeia pobre.

E você pode até aparecer na foto ao lado de tanques, mas saiba que se um dia você, por algum motivo, se colocar à sua frente. Ele atropela geral patricinha.

Eles odeiam pobres, se liga.

Leia também:

Estudante que tenta refundar a Arena tem bolsa no ProUni – Estadão

Líder da nova Arena é bolsista do Prouni – O Povo

ARENA – Partido de sustentação da ditadura militar é refundado – Renan Alves

Recado dado! Alô alô Globo, aquele abraço.

O sucesso do ENEM. Ninguém sabe, ninguém viu.

Houve algum problema grave com o ENEM esse ano?

Não vi repercussão nenhuma do maior concurso (em número de candidatos) do hemisfério sul. Quase 6 milhões de pessoas se submeteram sem problemas a dois dias de provas.

Esse exame passaria desapercebido senão fosse 65 “otários” que entraram na onda da mídia golpista e tiraram foto do cartão resposta à mando da Veja. Resultado: O MEC desclassificou-os.

O ENEM não sai da boca da oposição desse país, inclusive foi motivo de ataquestucanos ao então candidato Haddad na corrida eleitoral em São Paulo.

E sabe porque esta elite odeia o ENEM?

Porque  botou o filho da empregada para disputar de igual com o filhinho-de-papai. Isso, em países onde a burguesia comanda, é motivo até para golpe de estado.

Até que tentaram.

Este ano o sucesso do exame foi abafado. Gostaria de rever aqueles “especialistas” de anos passados, gostaria de saber suas opiniões agora.

Só sei o seguinte: Quem apostou contra o ENEM, perdeu.

 

Globo é imparcial na cobertura das eleições (americanas)

Sucursal tupiniquim cobrindo eleições do patrão.

Nossa imperiosa TV montou tenda em Washington para cobrir as eleições presidenciais americanas. Até Bonner desembarcou por aquelas bandas para cumprir o ritual de bajulação eterna.

Conseguiram até ser imparciais.

Mas qual será a diferença entre Democratas e Republicanos?

Na opinião da Globo, nenhuma.

Para nossa mídia provinciana, independente de quem ocupe a Casa Branca, a subserviência tá garantida pelos próximos 500 anos.

E para nós, povão, pra que servem as eleições americanas?

Nada, absolutamente nada.

Há assuntos pelas bandas de cá que necessitam mais atenção em nossa mídia.

Há uma guerra em São Paulo e infelizmente ninguém, absolutamente ninguém, pendura esta carnificina no pescoço do, no mínimo incompetente, governador Geraldo Alckmin. Por muito menos do que isso, Sérgio Cabral aceitou ajuda do Governo Federal, subiu o morro com tanques e instalou UPPs nas favelas cariocas. Se foi esta a atitude mais certa, só o tempo dirá.

A cobertura da imprensa brasileira beira o irresponsável abafamento. A Policial militar que foi executada na porta de casa  não teve direito a auxílio do Estado de São Paulo, pelo simples fato de “estar de folga”. Nessa guerra urbana e declarada, quase uma centena de pais de família (e mães também) morreram e foram contados todas as noites à voz de Cristhiane Pelajo e William Waack. Culpados? Nenhum.

Até o mensalão esqueceram. Coincidência as eleições municipais se findaram. A campanha eleitoral pelas bandas de cá acabaram e o queridinho Serra sucumbiu. Coincidência nosso Eminente relator e Salvador da pátria, Joaquim Barbosa programou seu afastamento médico para depois das eleições. Coincidência, esse mensalão foi julgado no período de campanha eleitoral.

Coincidência?

Enquanto isso nossa mídia insiste no quem é melhor: Obama ou Romney?

Agora é Oficial.

Se antes era motivo para tirar sarro, agora é oficial. A Câmara de Deputados aprova mudança no Regimento que determina que votações no plenário sejam realizadas apenas nas terças, quartas e  quintas-feiras. Ou seja, a semana dos deputados oficialmente contém três dias. E enquanto os ilustres “matam” as segundas e sextas, nós trabalhadores precisamos cumprir 44 horas de trabalhos semanais.

O projeto de redução da jornada de trabalho de 44 horas para 40 horas está nesse mesmo Congresso desde 1995. E o descaramento dos “ilustres” desde sempre.

 

Leia também:

Câmara aprova projeto que encurta semana de trabalho de deputados – Estadão.

Jornada de 40 horas semanais: 229 deputados a favor, 116 contra – G1

Uma análise sobre o mensalão.

O que falar mais? Não tenho o que acrescentar. Concordo em gênero, número e grau.

Leia e tire suas conclusões.

Leandro Fortes

Julgamento do ‘mensalão’

10.10.2012 11:53

A direita que ri

Tenho acompanhado nas redes sociais, desde cedo, e sem surpresa alguma, o êxtase subliterário de toda essa gente de direita que comemora a condenação de José Dirceu como um grande passo civilizatório da sociedade e do Judiciário brasileiro. Em muitos casos, essa exaltação beira a histeria ideológica, em outros, nada mais é do que uma possibilidade pessoal, física e moral, de se vingar desses tantos anos de ostracismo político imposto pelas sucessivas administrações do PT em nível federal. Não ganharam nada, não têm nada a comemorar, na verdade, mas se satisfazem com a desgraça do inimigo, tanto e de tal forma que nem percebem que todas essas graças vieram – só podiam vir –do mesmo sistema político que abominam, rejeitam e, por extensão, pretendem extinguir.
José Dirceu, como os demais condenados, foi tragado por uma circunstância criada exclusivamente pelo PT, a partir da posse de Luiz Inácio Lula da Silva, em 2002, data de reinauguração do Brasil como nação e república, propriamente dita. Uma das primeiras decisões de Lula foi a de dar caráter republicano à Polícia Federal, depois de anos nos quais a corporação, sobretudo durante o governo Fernando Henrique Cardoso, esteve reduzida ao papel de milícia de governo. Foi esta Polícia Federal, prestigiada e profissionalizada, que investigou o dito mensalão do PT.
Responsável pela denúncia na Procuradoria Geral da República, o ex-procurador-geral Antonio Fernando de Souza jamais teria chegado ao cargo no governo FHC. Foi Lula, do PT, que decidiu respeitar a vontade da maioria dos integrantes do Ministério Público Federal – cada vez mais uma tropa da elite branca e conservadora do País – e nomear o primeiro da lista montada pelos pares, em eleições internas. Na vez dos tucanos, por oito anos, FHC manteve na PGR o procurador Geraldo Brindeiro, de triste memória, eternizado pela alcunha de“engavetador-geral” por ter se submetido à missão humilhante e subalterna de arquivar toda e qualquer investigação que tocasse nas franjas do Executivo, a seu tempo. Aí incluída a compra de votos no Congresso Nacional, em 1998, para a reeleição de Fernando Henrique. Se hoje o procurador-geral Roberto Gurgel passeia em pesada desenvoltura pela mídia, a esbanjar trejeitos e opiniões temerárias, o faz por causa da mesma circunstância de Antonio Fernando. Gurgel, assim como seu antecessor, foi tutelado por uma política republicana do PT.
Dos 11 ministros do Supremo Tribunal Federal, seis foram indicados por Lula, dois por Dilma Rousseff. A condenação de José Dirceu e demais acusados emanou da maioria destes ministros. Lula poderia, mas não quis, ter feito do STF um aparelho petista de alto nível, imensamente manipulável e pronto para absolver qualquer um ligado à máquina do partido. Podia, como FHC, ter deixado ao País uma triste herança como a da nomeação de Gilmar Mendes. Mas não fez. Indicou, por um misto de retidão e ingenuidade, os algozes de seus companheiros. Joaquim Barbosa, o irascível relator do mensalão, o “menino pobre que mudou o Brasil”, não teria chegado a lugar nenhum, muito menos, alegremente, à capa de um panfleto de subjornalismo de extrema-direita, se não fosse Lula, o único e verdadeiro menino pobre que mudou a realidade brasileira.
O fato é que José Dirceu foi condenado sem provas. Por isso, ao invés de ficar cacarejando ódio e ressentimento nas redes sociais, a direita nacional deveria projetar minimamente para o futuro as consequências dessas jurisprudências de ocasião. Jurisprudências nascidas neste Supremo visivelmente refém da opinião publicada por uma mídia tão velha quanto ultrapassada. Toda essa ladainha sobre a teoria do domínio do fato e de sentenças baseadas em impressões pessoais tende a se voltar, inexoravelmente, contra o Estado de Direito e as garantias individuais de todos os brasileiros. É esperar para ver.
As comemorações pela desgraça de Dirceu podem elevar umas tantas alminhas caricatas ao paraíso provisório da mesquinharia política. Mas vem aí o mensalão mineiro, do PSDB, origem de todo o mal, embora, assim como o mensalão do PT, não tenha sido mensalão algum, mas um esquema bandido de financiamento de campanha e distribuição de sobras. Eu quero só ver se esse clima de festim diabólico vai ser mantido quando for a vez do inefável Eduardo Azeredo, ex-governador de Minas Gerais e ex-presidente do PSDB, subir a esse patíbulo de novas jurisprudências montado apenas para agradar a audiência.

Surpresa entre os azarões.

Do Blog do Magno Martins. 13/09/12

O fenômeno Daniel

Faltando 24 dias para as eleições, o candidato do PSDB a prefeito do Recife, Daniel Coelho, chegou a 19% das intenções de voto, segundo pesquisa do Datafolha. É, sem dúvida, um dos fenômenos eleitorais da sucessão do prefeito João da Costa (PT) ao lado do socialista Geraldo Júlio.

Quanto a este, há uma explicação lógica para o seu crescimento: a campanha maciça pelos meios de comunicação e na propaganda eleitoral associando seu nome à imagem do governador Eduardo Campos.

 Quanto a este, há uma explicação lógica para o seu crescimento: a campanha maciça pelos meios de comunicação e na propaganda eleitoral associando seu nome à imagem do governador Eduardo Campos.

E isso já era previsível. Mas Daniel, não. É um caso completamente diferente, um case. Saiu do patamar de cinco pontos percentuais para a casa dos 20, aparece empatado, tecnicamente, com Humberto Costa, de quem pode “roubar” a oportunidade de disputar o segundo turno.

Daniel não tem por trás dele nenhuma máquina administrativa, seu arco de alianças é possível se contar nos dedos, seu tempo no guia é curtíssimo e não há padrinhos para bomba-lo. Como explicar, então, seu crescimento?

Vem falando o que o povo quer ouvir, seu guia é leve e parece já ter cativado um segmento expressivo do eleitorado: os jovens, na faixa de 16 a 24 anos. Daniel pode ser a Marina Silva de calça de 2012, que  ganhou de Dilma no Recife nas eleições presidenciais em 2010.

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