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Uma análise sobre o mensalão.

O que falar mais? Não tenho o que acrescentar. Concordo em gênero, número e grau.

Leia e tire suas conclusões.

Leandro Fortes

Julgamento do ‘mensalão’

10.10.2012 11:53

A direita que ri

Tenho acompanhado nas redes sociais, desde cedo, e sem surpresa alguma, o êxtase subliterário de toda essa gente de direita que comemora a condenação de José Dirceu como um grande passo civilizatório da sociedade e do Judiciário brasileiro. Em muitos casos, essa exaltação beira a histeria ideológica, em outros, nada mais é do que uma possibilidade pessoal, física e moral, de se vingar desses tantos anos de ostracismo político imposto pelas sucessivas administrações do PT em nível federal. Não ganharam nada, não têm nada a comemorar, na verdade, mas se satisfazem com a desgraça do inimigo, tanto e de tal forma que nem percebem que todas essas graças vieram – só podiam vir –do mesmo sistema político que abominam, rejeitam e, por extensão, pretendem extinguir.
José Dirceu, como os demais condenados, foi tragado por uma circunstância criada exclusivamente pelo PT, a partir da posse de Luiz Inácio Lula da Silva, em 2002, data de reinauguração do Brasil como nação e república, propriamente dita. Uma das primeiras decisões de Lula foi a de dar caráter republicano à Polícia Federal, depois de anos nos quais a corporação, sobretudo durante o governo Fernando Henrique Cardoso, esteve reduzida ao papel de milícia de governo. Foi esta Polícia Federal, prestigiada e profissionalizada, que investigou o dito mensalão do PT.
Responsável pela denúncia na Procuradoria Geral da República, o ex-procurador-geral Antonio Fernando de Souza jamais teria chegado ao cargo no governo FHC. Foi Lula, do PT, que decidiu respeitar a vontade da maioria dos integrantes do Ministério Público Federal – cada vez mais uma tropa da elite branca e conservadora do País – e nomear o primeiro da lista montada pelos pares, em eleições internas. Na vez dos tucanos, por oito anos, FHC manteve na PGR o procurador Geraldo Brindeiro, de triste memória, eternizado pela alcunha de“engavetador-geral” por ter se submetido à missão humilhante e subalterna de arquivar toda e qualquer investigação que tocasse nas franjas do Executivo, a seu tempo. Aí incluída a compra de votos no Congresso Nacional, em 1998, para a reeleição de Fernando Henrique. Se hoje o procurador-geral Roberto Gurgel passeia em pesada desenvoltura pela mídia, a esbanjar trejeitos e opiniões temerárias, o faz por causa da mesma circunstância de Antonio Fernando. Gurgel, assim como seu antecessor, foi tutelado por uma política republicana do PT.
Dos 11 ministros do Supremo Tribunal Federal, seis foram indicados por Lula, dois por Dilma Rousseff. A condenação de José Dirceu e demais acusados emanou da maioria destes ministros. Lula poderia, mas não quis, ter feito do STF um aparelho petista de alto nível, imensamente manipulável e pronto para absolver qualquer um ligado à máquina do partido. Podia, como FHC, ter deixado ao País uma triste herança como a da nomeação de Gilmar Mendes. Mas não fez. Indicou, por um misto de retidão e ingenuidade, os algozes de seus companheiros. Joaquim Barbosa, o irascível relator do mensalão, o “menino pobre que mudou o Brasil”, não teria chegado a lugar nenhum, muito menos, alegremente, à capa de um panfleto de subjornalismo de extrema-direita, se não fosse Lula, o único e verdadeiro menino pobre que mudou a realidade brasileira.
O fato é que José Dirceu foi condenado sem provas. Por isso, ao invés de ficar cacarejando ódio e ressentimento nas redes sociais, a direita nacional deveria projetar minimamente para o futuro as consequências dessas jurisprudências de ocasião. Jurisprudências nascidas neste Supremo visivelmente refém da opinião publicada por uma mídia tão velha quanto ultrapassada. Toda essa ladainha sobre a teoria do domínio do fato e de sentenças baseadas em impressões pessoais tende a se voltar, inexoravelmente, contra o Estado de Direito e as garantias individuais de todos os brasileiros. É esperar para ver.
As comemorações pela desgraça de Dirceu podem elevar umas tantas alminhas caricatas ao paraíso provisório da mesquinharia política. Mas vem aí o mensalão mineiro, do PSDB, origem de todo o mal, embora, assim como o mensalão do PT, não tenha sido mensalão algum, mas um esquema bandido de financiamento de campanha e distribuição de sobras. Eu quero só ver se esse clima de festim diabólico vai ser mantido quando for a vez do inefável Eduardo Azeredo, ex-governador de Minas Gerais e ex-presidente do PSDB, subir a esse patíbulo de novas jurisprudências montado apenas para agradar a audiência.

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Entendam o papel de nossa imprensa e o mensalão.

Tirem suas conclusões.

 

O arbítrio é livre.

Ação Penal 470

Isso o JN não mostra.

Cortinas se abriram, o show começou.

O expediente iniciado com a única tentativa de derrubar o legítimo governo Lula, fracassou em 2005 e agora novas marionetes, manipuladas pela opinião do PiG tentam dar outro rumo para o já esquecido mensalão.

Dinheiro público é sagrado, em qualquer esfera e em qualquer quantidade. E qualquer desvio, mesmo que pequeno, jamais se justifica. Mas será correto condenar sem provas?

O Procurador (e Prevaricador também) Geral da República admitiu que não possui prova concreta contra Zé Dirceu. E toda sua argumentação se baseia em depoimentos, que para ele vale tanto quanto qualquer prova. Ele só esquece que havia provas suficientes para incriminar Demosténes Torres em 2009 e mesmo assim “prevaricou”, arquivando o processo que só estourou 03 anos depois. O resultado nós vimos, o Mosqueteiro da Ética da Veja sucumbiu.

Então, quanto vale o depoimento de Roberto Jefferson (inimigo declarado de Dirceu), pego com a boca na botija?

Quanto vale a filmagem ilegal feita pelo até então brilhante, Carlinhos Cachoeira? Filmagem esta que desencadeou isto tudo.

A Globo já condenou o Mensalão de Dirceu, e não admite outro resultado que não seja a forca para todos. Tanto que investe pesado na aparição do caso no JN. É Mensalão pra cá, mensalão pra lá. Café, almoço e janta mensalão na terra dos Marinhos.

CBN, GloboNews, JN, JG e Veja acreditam que o Brasil se resume a este julgamento.

Puro Engano.

Lula foi reeleito em 2006 e elegeu Dilma em 2010, mesmo depois da referida peça.

Daí pergunto:

E o Mensalão Tucano operado na terra do pão-de-queijo pelo Senador Azeredo?

E a Privataria Tucana, que desviou bilhões para paraísos fiscais com dinheiro das privatizações feitas por Serra e seus pares?

E a compra de votos de deputados e senadores para aprovar a Emenda da Reeleição de Fernando Henrique?

Desses não espero nenhum segundo nos telejornais ou jornais impressos, mesmo sabendo que existiram.

Uma pena.

Se for para jogar a m* no ventilador que façamos. Mas esta tentativa fascista de se controlar a opinião pública, não rola mais.

A ação penal 470 julgada no STF não trará benefício algum ao país. Enquanto isso os professores federais estão em greve por melhores salários. O trânsito nas grandes cidades está caótico. A segurança pública impede que qualquer cidadão saia de casa seguro. Jovens estão perdendo as vidas para o crack e outras drogas, isso quando conseguem vencer a fome. O dinheiro público indo para o ralo na construção de novas e elefantescas arenas.

E a Veja preocupada com o futuro de Carminha.

Viva o Brasil.

Leia também:

Gurgel reconhece não ter provas contra Dirceu e apela a suspeitos – Blog da Cidadania

Só falta a Globo escalar Galvão Bueno para narrar o julgamento do ‘mensalão’ – Rede Brasil Atual

Vai começar o espetáculo – Revista Fórum

O julgamento na imprensa – Folha (Janio de Freitas)

O valerioduto abasteceu Gilmar Mendes – CartaCapital

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